NR-1 exige guinada na gestão de riscos e abre portas para profissionais

A modernização das Normas Regulamentadoras pelo Ministério do Trabalho tem exigido das empresas brasileiras uma rápida adaptação que vai muito além do preenchimento de documentos burocráticos. No centro dessa transformação está a nova NR-1 (Diretrizes Gerais), que estabelece as bases para o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO).

Diferente do modelo anterior, em que muitos laudos de segurança eram atualizados anualmente e engavetados, o texto revisado da NR-1 exige que os riscos (físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e de acidentes) sejam mapeados, monitorados e mitigados de forma dinâmica. Essa fiscalização mais rigorosa mexe diretamente com a estrutura de custos, segurança jurídica e atração de talentos das organizações.

Para Karina Pelanda, gerente de recrutamento e seleção da RH NOSSA, a nova diretriz tirou o empresariado da zona de conforto e gerou um reflexo imediato nos processos seletivos de médio e grande porte.

“O mercado precisa compreender que o gerenciamento de riscos agora precisa estar integrado ao ecossistema vivo da organização. A nova NR-1 cobra responsabilidade direta das lideranças e do RH corporativo. Hoje, não basta ter um documento assinado; a fiscalização quer ver a cultura preventiva em prática.”

O Novo Perfil de Candidato na Era do Compliance

Se para os empregadores o desafio é estrutural, para os trabalhadores a mudança abre uma janela de diferenciação competitiva. Os processos seletivos estão cada vez mais atentos a profissionais que, independentemente da área de atuação, compreendam noções básicas de mitigação de riscos e segurança ocupacional.

Pelanda diz que o conhecimento sobre normas regulamentadoras deixou de ser uma exclusividade dos técnicos de segurança do trabalho e engenheiros da área.

 

“Em um cenário onde os processos operacionais exigem alta performance, o erro custa caro para a empresa e para o trabalhador. Por isso, nos processos seletivos, nós valorizamos muito o profissional que demonstra maturidade para seguir protocolos. Quem tem consciência e disciplina para cuidar da própria segurança e da operação não só evita passivos trabalhistas, mas mostra que está pronto para assumir responsabilidades em um mercado que não aceita mais amadorismo”  pontua a coordenadora.

A nova NR-1 também unifica as responsabilidades, deixando claro que tanto a empresa precisa fornecer as condições, treinamentos e ferramentas de gestão quanto o colaborador deve cumprir rigorosamente os protocolos estabelecidos. O mercado corporativo caminha para um cenário onde a segurança do trabalho é avaliada como indicador de sustentabilidade e governança (ESG).