O mercado de trabalho brasileiro segue aquecido e impõe um novo desafio às empresas: contratar ficou mais difícil. Em agosto, o Brasil abriu 165.827 vagas com carteira assinada, segundo dados do Caged. O resultado veio acima das projeções do mercado, que apontavam mediana próxima de 97 mil postos, aumentando a pressão sobre as áreas de recrutamento em um cenário de desemprego historicamente baixo.
A taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, o menor nível da série histórica para o período, iniciada em 2012. A população ocupada chegou ao recorde de 103,5 milhões de pessoas. Na prática, isso significa que há menos profissionais disponíveis no mercado e mais empresas disputando os mesmos talentos.
Para Karina Pelanda, gerente de recrutamento e seleção da RH NOSSA, o cenário de baixo desemprego muda a lógica da contratação:
“Quando o desemprego cai a esse nível, o recrutamento deixa de ser apenas uma triagem de currículos. A empresa precisa disputar atenção, demonstrar clareza na proposta e agir rápido. O profissional qualificado tem mais alternativas e não espera processos longos ou pouco objetivos”, afirma.
Apesar do avanço mensal, o acumulado de janeiro a agosto mostra desaceleração. Foram criados 1,13 milhão de postos formais no período, queda de 25,2% em relação ao mesmo intervalo de 2025. Para a especialista, esse contraste exige uma leitura mais cuidadosa por parte das empresas:
“O mercado não está parado. Ele está mais seletivo. A criação de vagas continua, mas o crescimento perde ritmo em alguns recortes. Isso aumenta a importância de contratar bem, porque uma vaga aberta por muito tempo gera custo, sobrecarga interna e perda de produtividade”, explica Karina.
O comportamento do mercado também varia de acordo com funções, setores e regiões, reforçando a necessidade de as empresas acompanharem de perto os movimentos relacionados à atração e retenção de profissionais.
“O candidato compara salário, benefícios, flexibilidade, plano de carreira e reputação da empresa. Em um cenário de desemprego baixo, a companhia que demora para responder ou não comunica bem sua proposta perde espaço. A experiência do candidato virou parte central da estratégia de atração”, finaliza.