“LinkeDisney”: excesso de positividade pode prejudicar reputação profissional

O LinkedIn se consolidou como uma das principais vitrines profissionais do país. Em 2024, a plataforma ultrapassou 75 milhões de usuários no Brasil, o equivalente a mais de 60% da força de trabalho nacional, segundo dados divulgados pela própria plataforma. O país também aparece como o terceiro maior mercado da rede, atrás apenas de Estados Unidos e Índia.

Com tanta gente disputando atenção, cresce também um comportamento que vem sendo chamado de “LinkeDisney”: publicações excessivamente positivas, histórias profissionais romantizadas e relatos que transformam qualquer experiência de trabalho em uma narrativa perfeita, levando em conta apenas conquistas, além de transformar eventuais problemas em postagens romantizadas.

Para Karina Pelanda, gerente de recrutamento e seleção da RH NOSSA, o problema não está em compartilhar conquistas, mas em apagar completamente os desafios do caminho.

“Todo profissional tem aprendizados, erros, inseguranças e momentos de adaptação. Quando o LinkedIn vira apenas um palco de vitórias perfeitas, o conteúdo perde força e pode gerar desconfiança. Recrutadores valorizam consistência, clareza e autenticidade”, afirma.

Levantamento da NapoleonCat indica que, em setembro de 2025, o Brasil tinha cerca de 82,2 milhões de usuários no LinkedIn, o equivalente a 36,9% da população. A faixa de 25 a 34 anos era o maior grupo, com 41 milhões de usuários.

Para a especialista, os candidatos que buscam recolocação, o LinkedIn pode ampliar a visibilidade diante de recrutadores. Para profissionais empregados, a plataforma ajuda a fortalecer autoridade, ampliar conexões e acompanhar movimentos do mercado. Mas, nos dois casos, a orientação é a mesma: 

“É melhor contar o que aprendeu com um projeto difícil do que apenas dizer que foi um sucesso. É melhor explicar o que um curso acrescentou à sua rotina do que só publicar o certificado, ou até mesmo dividir os principais entraves em uma demissão. O conteúdo precisa mostrar trajetória, não personagem”, diz a gerente.

A especialista também chama atenção para o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Embora o LinkedIn tenha se tornado mais social, ele continua sendo uma rede voltada ao mercado de trabalho. Comentários agressivos, autopromoção exagerada, exposição desnecessária e publicações sem relação com a carreira podem prejudicar a imagem do profissional:

“Networking não é pedir emprego para desconhecidos. É construir relacionamento antes de precisar dele. Isso se faz com interação respeitosa, troca de conhecimento e presença constante”, finaliza Karina.

Dicas para usar melhor o LinkedIn para networking

  • Mantenha o perfil atualizado, com foto adequada, título profissional claro e experiências bem descritas.
  • Interaja com publicações da sua área, comentando com opinião, repertório e respeito.
  • Compartilhe aprendizados reais, inclusive desafios e soluções encontradas no caminho.
  • Evite transformar toda conquista em uma história perfeita. Autenticidade gera mais conexão.
  • Ao adicionar alguém, envie uma mensagem breve explicando o motivo do contato.
  • Siga empresas, recrutadores e profissionais de referência no seu setor.
  • Publique com regularidade, mas sem excesso. Qualidade vale mais do que volume.
  • Antes de pedir uma oportunidade, construa relacionamento.