“Mosaico” de experiências é a nova realidade do mercado de trabalho

As carreiras tradicionais, chamadas de lineares, estão perdendo espaço. É o que mostra a nova realidade de mercado, cada vez mais impulsionada por automatização de tarefas e inteligência artificial.

Hoje, segundo a gerente de recrutamento e seleção da RH NOSSA, Karina Pelanda,  profissionais constroem trajetórias em mosaico, ou seja, com mudanças frequentes de função, projetos paralelos, períodos de freelancing, trabalho temporário e reinvenções constantes:

“Hoje, uma carreira bem-sucedida não é mais definida por quantos anos o profissional ficou na mesma empresa, mas pela capacidade de aprender, se reinventar e acumular experiências diversas. O mosaico de trajetórias permite que as pessoas desenvolvam competências mais amplas e resilientes.”

Essa tendência, destacada em relatórios recentes como o People Trends 2026, reflete um mercado em que a capacidade de reinvenção vale mais que a permanência em um único cargo.

Com cerca de 39% das competências atuais projetadas para se tornarem obsoletas até 2030, o reskilling (requalificação para novas funções) e o upskilling (aperfeiçoamento de habilidades) deixaram de ser opcionais e viraram prioridade estratégica.

Para as empresas, o desafio é criar ambientes que apoiem essa mobilidade interna e externa, oferecendo trilhas claras de reskilling e valorizando a diversidade de vivências”,  finaliza Pelanda.

No Brasil, um levantamento da Ford em parceria com o Datafolha mostra que 98% das companhias têm dificuldade para encontrar profissionais qualificados. A partir daí, o que se vê no mercado é um processo de contratação mais lento e custoso, com metade das vagas levando cerca de dois meses para ser preenchida.

Especialistas apontam que as habilidades mais valorizadas nesse contexto são a adaptabilidade, o aprendizado contínuo, o pensamento crítico e a fluência digital, muitas vezes combinadas com experiências em diferentes modelos de trabalho (CLT, PJ, temporário ou projetos).

Para os profissionais, a dica da especialista é tratar a carreira como um portfólio: investir em certificações rápidas, projetos paralelos e networking ativo. Para as empresas, significa repensar planos de carreira, sucessão e retenção, indo além das promoções verticais tradicionais.