Estar empregado não significa estar fora do mercado. É o que revela a pesquisa “A Jornada do Candidato” divulgada pela Opinion Box em janeiro de 2026 e que ouviu mais de 1200 pessoas. Os números apontam para um cenário de alta mobilidade: cerca de 60% dos profissionais que já possuem um vínculo de trabalho estão atentos a novas oportunidades. O levantamento mostra que apenas 23% dos trabalhadores se dizem plenamente satisfeitos onde estão.
Para Karina Pelanda, gerente de recrutamento e seleção da RH NOSSA, o indicador mais preocupante para as empresas é o e-NPS (satisfação do colaborador), que atingiu a nota 6 em uma escala, considerada neutra, quase zona de perigo:
“Uma satisfação neutra é um terreno fértil para a rotatividade. Profissionais qualificados não esperam ficar desempregados para buscar algo melhor; eles monitoram o mercado constantemente”, explica Pelanda.
Atualmente, segundo a pesquisa, 80% desses profissionais atuam sob o regime CLT. No entanto, há um descompasso entre o modelo de trabalho praticado e o desejado. Enquanto 66% hoje trabalham de forma totalmente presencial , apenas 28% consideram este o regime ideal. A preferência majoritária recai sobre o modelo híbrido (58%), com destaque para aqueles que preferem passar a maior parte do tempo em casa.
Quanto às perspectivas para o futuro imediato, o desejo de crescimento é latente. Em 2026, 38% dos colaboradores pretendem buscar promoção ou aumento na empresa atual , mas o fantasma da defasagem salarial persiste: 56% consideram que os salários oferecidos em suas áreas em 2025 ficaram abaixo do esperado.
“O desafio das organizações em 2026 será converter esses ‘neutros’ em promotores da marca, focando em planos de carreira estruturados e flexibilidade real, que são os pontos de maior valor para quem já está no time”, conclui a especialista.
O retrato da pesquisa :
- Abertura ao mercado: 19% não buscam vagas ativamente, mas admitem estar abertos a propostas.
- Faixa Salarial: A maior concentração de renda bruta mensal atual está entre R$ 3.001 e R$ 6.000 (36%).
- Benefícios mais valorizados: Plano de saúde e odontológico completo lidera com 28% de preferência.
- Saúde Mental: 54% dos profissionais consideram o apoio psicológico um benefício “muito importante” no pacote da empresa.


